A arena do desenvolvimento há muito passou das grandes políticas nacionais para o âmbito regional e de cidades. A realidade, já consolidada nos EUA e na Europa, e já ganhando corpo em alguns países em desenvolvimento, chega timidamente ao Brasil - aos poucos, também notamos que as grandes inovações em termos de política de desenvolvimento são no âmbito regional e em cidades. Isso se dá não apenas pelas mudanças tributárias que proporcionaram às cidades médias e grandes uma condição financeira para investimentos, e às diferenças regionais que fazem com que cada um dos Estados e regiões tenha condição de melhor buscar o seu posicionamento, mas também no avanço de técnicas de gestão, fontes de financiamento e planejamento estratégico.
O momento de desaceleração econômica em todo o mundo pode sugerir que essas mudanças arrefeçam, mas a tendência é exatamente contrária. No momento em que o mundo “para”, acontecerão algumas mudanças nas tendências e alocações internacionais de recursos: os recursos de investimento de risco devem ficar mais seletivos, e buscar aquelas regiões e cidades que realmente tragam condição de perpetuação da prosperidade e boas condições de funcionamento para o empreendimento. Temas como desenvolvimento sustentável, diversificação econômica e fontes alternativas de energia devem ganhar destaque.
No Brasil, há 14 cidades acima de 1 milhão de habitantes, 129 cidades com mais de 200 mil habitantes e 266 com mais de 100 mil habitantes. Dos orçamentos municipais, apenas uma parcela ínfima é aplicado em planejamento e preparação para o desenvolvimento sustentável. A grande maioria dos recursos se esvai na reprodução do mesmo modelo de administração, economia e oferta de serviço aos cidadãos.
O reposicionamento nada é mais é do uma reinvenção da vocação de uma cidade ou região, a partir da maximização das oportunidades econômicas – que podem surgir a partir de suas vocações históricas, ou de novas vocações calcadas em potenciais vantagens competitivas. Em um país de dimensões continentais e trocas internacionais múltiplas como o Brasil, o reposicionamento pode significar a garantia de prosperidade futura e mudança de trajetória. Evidentemente, as cidades, consórcios de cidades e regiões que se organizarem de forma mais efetiva e ágil terão vantagem.
Em um momento de diminuição do ritmo de expansão econômica, em que o mundo “para”, cidades e regiões no Brasil podem rapidamente preparar-se para captar novos fluxos de investimento, financiamento público-privado e atividade econômica, interna e externamente. Dessa preparação, poderão surgir modelos inovadores e casos de sucesso que influenciarão a mudança de patamar de um País. E o mais importante de tudo: se estará mudando a realidade e perspectiva de suas populações. |