O Globo publicou matéria neste final de semana que mostra a dimensão
do peso do Estado brasileiro na conta final da eleição. Pelas contas
feitas pelo jornal, 48,8 milhões de brasileiros dependem diretamente
do dinheiro advindo da arrecadação de impostos. Considera-se nesta
conta os beneficiados pelo seguro-desemprego, bolsa-família,
funcionários públicos e aposentados.
Por certo este número é maior, especialmente se considerarmos que
existem famílias dependentes destes recursos. Portanto, de saída este
número pode dobrar, batendo na casa dos 100 milhões de brasileiros que
dependem exclusivamente do Estado para viver. Isto constitui-se em um
fato eleitoral com impacto que não pode ser desprezado.
Mas a conta pode ir além, se considerarmos estruturas que passam pelo
Estado para sobreviver e de suas benesses para se manter. Exemplos
claros são as ONGs e movimentos sociais que dependem de verbas
públicas, sem contar os sindicatos. Logo vemos que poder de fogo, bem
como a estrutura eleitoral de longo prazo que o governo montou, é
decisivo quando se fala em vencer eleições.
De acordo com os fatos pode-se considerar inviável qualquer candidato
que afete os interesses daqueles que recebem sua renda dos cofres
públicos. Vimos isto na última eleição, quando Alckmin foi acusado de
"privatista", o que logo o levou a sair na defesa do papel estratégico
do Estado, suas empresas e benesses.
Isto explica porque os candidatos alinhados com Lula tem mais votos
onde mais se depende do governo para viver, nas regiões Norte e
Nordeste. Também explica porque o mesmo grupo sofre para vencer
eleições em locais como o Sul e São Paulo, onde se depende menos do
governo e existe maior presença da iniciativa privada.
A estrutura criada pelo grupo que atualmente comanda máquina pública
conseguiu articular-se em todas as frentes. Para o grande empresariado
e a imprensa, acena com subsídios, obras e polpudas verbas
publicitárias. Na classe média, proliferam-se aqueles que procuram os
concursos públicos e para as faixas de baixa-renda, acena-se com
programas como o Bolsa-Família. Isto sem falar na estrutura sindical e
das ONGs.
Vencer a estrutura das benesses do Estado torna-se cada mais difícil
no Brasil. Vota-se naqueles que defendem a manutenção do sistema. Um
modelo de que alimenta-se de si mesmo em um perigoso ciclo vicioso que
afeta diretamente a existência da democracia, uma vez que domestica os
eleitores, em todos os níveis. |