Se já era importante para o Rio Grande do Sul recuperar a sua capacidade de investimento, hoje, em maio de 2008, esse fato é imperativo.
Nas últimas semanas, mudamos rapidamente de perspectiva: de uma desaceleração de atividade econômica e investimentos internacionais no Brasil e América Latina para uma janela de oportunidade de captação de novos investimentos em razão da concretização do tão esperado grau de investimento. Se não construirmos rapidamente uma condição de modernizar e ampliar em um mínimo de 25% a nossa economia nos próximos cinco anos, o RS estará condenado a não puxar, e sim a ir a reboque na economia brasileira. Como conseguir isso? Apenas com a captação e concretização de investimentos empresariais âncora, de grande porte.
O posicionamento é óbvio: se o empreendimento considera o Brasil, que considere vir ao Rio Grande. Como fazer isso? Com um trabalho consistente de promoção, que vai muito além dos “road shows”, folhetos e dos fóruns multilaterais, mas principalmente com a recuperação, ou sinalização de recuperação, da situação financeira do Estado, que é o nosso grande calcanhar de Aquiles. Nas demais variáveis sistêmicas, o Rio Grande vai relativamente bem.
Como obter rapidamente fôlego e capacidade de investimento nesse momento chave? Ao aprovar o empréstimo do Banco Mundial que está tramitando em Brasília. A insolvência financeira do Rio Grande não é invenção de Yeda Crusius, muito menos do Governo Lula. Quem enxerga querelas partidárias ou oportunidades políticas baixas na questão é, no mínimo, míope. Mas o começo da solução do problema financeiro estadual ao reestruturar a dívida pública pode marcar historicamente essas duas gestões, por entender a sua excepcionalidade e trazer uma solução efetiva.. Mais do que nunca, é hora da classe política e lideranças da sociedade gaúcha mostrarem sua capacidade de mobilização e visão estratégica.
Uma vez obtendo esse fôlego, como trabalhar pelos investimentos adicionais no Estado? Em primeiro lugar, ao se trabalhar na concretização de investimentos que já estão em marcha: o pólo em torno do porto de Rio Grande, a disputa pela Toyota e tantos outros que foram negociados no governo anterior. Configurar um pacote para investimento em informática realmente agressivo. Em segundo lugar, consolidando internacionalmente o “case” gaúcho de sucesso econômico e a imagem –verossímil- como um Estado com infra-estrutura, recursos humanos bem preparados, tradição produtiva e que tem visão de futuro.
Como concretizar essa estratégia? Ao rapidamente direcionar os recursos de investimento para a construção do futuro: além na eficiência da gestão,a começar pelas estatais, ao se investir em infra-estrutura em pontos chave do Estado, em educação e na formação de uma base econômica tecnológica, vinculada à matriz produtiva já existente no Rio Grande. O capital social, a base de conhecimento gaúcha ainda é muito boa na média dos países emergentes. Projetos estruturantes excelentes existem, o que falta é concentração de recursos.
É a oportunidade de criação de marcos legais como o Imposto Futuro,ao, por exemplo, ao vincular 1% da arrecadação de ICMS a um fundo de construção do futuro com investimentos em projetos estratégicos de educação, tecnologia e reconversão econômica.
É crucial o Rio Grande retomar, e rapidamente, a capacidade de exercer a sua vocação histórica para o desenvolvimento.É hora de sacudirmos o mofo e o pessimismo que tentamos afugentar desde os primeiros pactos e agendas. O empréstimo do BIRD pode ajudar a desencadear um ciclo virtuoso que nos dê fôlego e condição de exercer a austeridade ao mesmo tempo que trazemos de volta a capacidade de investimento e nos preparamos para entrar, de fato, no mundo do século XXI. |