Em uma prévia eletrizante cujo resultado só saiu perto da meia-noite deste domingo, a deputada federal Maria do Rosário (PT) foi escolhida candidata do partido à prefeitura da capital. Ela bateu o ex-vice-governador Miguel Rossetto com diferença de 56 votos em um universo de 4.379 votantes. Foi tão disputado, voto a voto, que em alguns momentos da contagem militantes de ambos os lados quase se tapearam.

Ao eleger Maria do Rosário para ser a cara do PT na eleição de outubro, os petistas filiados da capital optaram por uma candidata que aparece com bons índices nas pesquisas eleitorais. E que ao menos sabe sorrir. O adversário de Maria do Rosário era da DS (Democracia Socialista), uma ala petista que sonha com o MST mandando no campo e é saudosa do muro de Berlim (não que ela seja muito mais evoluída que isso, mas aparenta ser). O que a salva é que ela tem melhor trânsito com a imprensa, é mais palatável para setores não-petistas da cidade, e vez por outra sorri, coisa difícil de arrancar da carranca de Rossetto.
Lembrando, na última eleição para prefeito de Porto Alegre, em 2004, Maria do Rosário foi candidata a vice do deputado estadual Raul Pont. Depois de perder para José Fogaça (então no PPS), a deputada ficou conhecida do grande público por chorar copiosamente na sede do partido, episódio transmitido ao vivo por uma rede de televisão.
Enfim, o PT que durante 16 anos governou a capital terá duas grandes dificuldades nos próximos meses: 1) unir o partido em torno de Maria do Rosário (os caciques detestavam a idéia de tê-la candidata); 2) conseguir que algum partido com um mínimo de densidade eleitoral tope apoiar o PT (PC do B e PSB, até então aliados naturais, lançarão Manuela D'Ávila). [foto: Agência Brasil]