O Irã manifestou ontem sua confiança de que em breve alcançará um acordo final para o envio de seu urânio ao exterior em troca de combustível para um reator nuclear para uso medicinal, disse ontem o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki.
"Pessoalmente acredito que criamos terreno para tal troca em um futuro não muito distante", disse Mottaki, durante uma Conferência de Segurança em Munique. No entanto, ele destacou que dependerá do Irã determinar as quantidades de urânio que serão trocadas, com base em sua necessidade.
O chanceler afirmou que discutirá hoje sobre a questão com a nova diretora da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, paralelamente à conferência. Segundo a proposta da agência da ONU, o Irã entregaria seu urânio enriquecido a 3,5% e receberia o material enriquecido a 20%, de uma forma que dificultaria seu uso para a construção de uma bomba.
As declarações foram feitas horas após os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Rússia, França, Grã-Bretanha e China -, mais a Alemanha, reunirem-se, por meio de uma teleconferência, para discutir mecanismos de pressão, o rumo das negociações e novas sanções contra o Irã, que não abre mão de seu programa nuclear.
A reunião do sexteto terminou em impasse por causa da posição chinesa, que não aceita ampliar as restrições comerciais a Teerã. "Discutimos na reunião uma forma de seguir negociando e uma maneira de pressionar o Irã a negociar", afirmou Philip J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.
Embora o Irã diga que seu programa nuclear é pacífico e para fins civis, o Ocidente suspeita que Teerã esteja desenvolvendo armas atômicas e corre contra o tempo para impedir a conclusão do processo iraniano de enriquecimento de urânio com finalidade militar. |